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15/04/2006 05:59
De volta, de novo
Como de costume, não tenho conseguido escrever aqui com regularidade. Talvez não seja prioridade, embora seja algo que me agrada - dividir as alegrias e as angústias com que quiser partilhar isso.
Por ora, seguem abaixo o resumo de duas alegrias e de uma angústia.
É quase dia. Não tenho sono. Escuto alternados Antonio Nóbrega, Strokes, Cranberries, Bob Marley e Chico. Deixo o volume da televisão baixo, onde passava há poucos instantes A paixão de Cristo, dirigido pelo racista e fundamentalista Mel Gibson, no canal Fox, propriedade do magnata Rupert Murdoch. Vez por outra cedo e me deparo com as imagens fortes, quem nem de longe sensibilizam meu ateísmo.
Rogério Tomaz Jr.
Brasília, DF
enviada por Rogério Tomaz Jr.
15/04/2006 05:56
Foi numa terça-feira, 24 de janeiro. Perto do final da manhã, ainda lembro do zelador do prédio onde trabalho deixando o pacote na minha sala. Quando vi a remetente, sorri e só parei quando tive câimbra nas maçãs do rosto.
Acabara de receber o presente mais lindo da minha vida. Posso ser injusto com os outros por dizer isso, mas seria injusto com este - e com a sua autora, esta é a palavra - se não o dissesse.
Cobrei tanto e tantas vezes que ela me mandasse postais do Recife. Demorou, mas Julya finalmente os enviou, como brinde (rs) de uma caixa personalizada de miudezas, contendo três CDs de maravilhosa música, com encarte escrito à mão e feito de colagens, com fotos, gravuras e desenhos diversos e luminosos de tanta graça.
Nina Simone, Gal Costa tropicalista, Ataulfo Alves, Cesária Evora, Edith Piaf, Eliete Negreiros, Ella Fitzgerald, Cartola, Chico e Nara, Clara Nunes, Luiz Melodia, Buena Vista, Chico e Caetano... boa música para ouvidos, coração para a alma.
Eu não seria capaz sequer de imaginar algo tão belo e criativo. Agradeço à artista Julya também por expandir minha inventividade... rs
E eu, que tanto a acusei de tratante, por não me mandar os postais, agora assumo essa pecha. Levei quase três meses para registrar aqui tamanha alegria.
Julya, menina linda, doce e genial, desculpe pelo atraso, e continue sempre assim. Um dia ainda vou morar nessa terra quente e rica das coisas da gente.
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Sábado de carnaval, sol a pino em Botafogo. Encosto num bar para esperar o resto da turma e aproveito para assistir ao jogo do Fluzão, que foi reduzido a timinho pelo Friburguense: 4x1.
Saio do bar, encontro a turma e comandando o bloco Os barbas vem o carismático Nelson Rodrigues Filho. É a segunda vez seguida que encontro Nelsinho enquanto estou no Rio. O diálogo é rápido, sobre a nossa paixão em comum, o Fluminense. Esses caras não têm vergonha na cara, diz, enquanto toma uma cerveja e me oferece um churrasquinho de calabresa, que aceito meio sem jeito.
Seguimos nosso caminho e tenho a certeza que ainda o reencontrarei com mais calma. Grande figura, inclusive visual e literalmente.
O encontro anterior foi em maio de 2005, no estádio de São Januário, por ocasião da final da Copa do Brasil, entre o nosso Fluzão e o Paulista de Jundiaí. O diálogo, mais curto ainda, se deu na fila da lanchonete do estádio, para comprar cerveja. A propósito, o time visitante acabou sendo campeão com o 0x0, após ter vencido a primeira partida por 2x0, mas a melhor torcida do Brasil, como registrou Nelson Rodrigues pai, não arredou pé do estádio e ao final cantou de pé o hino do clube e aplaudiu os jogadores, que ficaram surpresos com tal atitude.
**********
Volto a passar aquele momento indesejável e inesperado de separação. Dói. Muito. É duro não conseguir ficar junto com uma pessoa que você sabe que é maravilhosa. É frustrante ter que reconhecer seu próprio egoísmo e sua própria incapacidade de se entregar a quem se entrega a você. Não há muito a dizer, pelo menos aqui. Há bastante, porém, a sentir...
No Need To Argue
The Cranberries
Theres no need to argue anymore.
I gave all I could but it left me so sore
And the thing that makes me mad
is the one thing that I had
I knew, I knew, Id lose you.
Youll always be special to me
And I remember all the things we once shared.
Watching tv movies on the living room armchair
But they say it will work out fine.
Was it all a waste of time
cause I knew, I knew, Id lose you
Youll always be special to me
Will you forget in time.
You said I was on your mind.
Theres no need to argue
No need to argue anymore
Theres no need to argue anymore. Special
enviada por Rogério Tomaz Jr.
30/11/2005 18:05
Os fascistas brasileiros mostram sua cara - proposta da UDR & Cia. (ou CIA?)
Mais uma amostra do fascismo reinante entre os (que se julgam) donos do nosso país.
A proposta de (des)qualificar como ato de terrorismo e crime hediondo as ocupações de terra está para os movimentos sociais no Brasil como o Ato Patriótico* está para os cidadãos estrangeiros residentes nos EUA.
Para eles (ruralistas aqui, neoconservadores bu$histas lá) a realidade - escancarada em números mas cujo sofrimento não pode ser mensurável - simplesmente não existe. É invenção de delinquentes, baderneiros, arruaçeiros, comunas, enfim, terroristas, termo em voga hoje.
A Casa Branca tentou fazer isso com os zapatistas no México. Não conseguiu.
Agora, seus próceres aqui em Pindorama tentam emplacar a idéia contra o MST, principal "mau exemplo" (segundo a altamente respeitável revista Veja... rs) para o povo brasileiro.
Imaginem(os) se este povo soubesse e acreditasse que a organização popular e a luta social dão certo e valem a pena... o país já seria outro, certamente muito melhor, exceto na opinião do séquito cadastrado na Daslu e seus bajuladores de plantão.
A direita fascista, dirigida ideologicamente pelo PSDB e PFL, e não mais por PMDB e seus filhotes (PP, PTB, PL e outros), depois de ter vencido o referendo sobre o desarmamento, está eufórica e abusada. A máscara caiu agora, com essa proposta da UDR, em plena luz do dia e no principal espaço de debates do país.
E, com certeza, nenhum jornal "deles", muito menos as revistas co-irmãs na ponta de lança da batalha de idéias (Veja, Isto É, Época e Primeira Leitura), vai escrever editoriais irados protestando contra a medida, bem lembrou o colega Márcio Jerry.
Tal ato transforma pais e mães de família, trabalhadores e trabalhadoras, centenas de milhares de pessoas miseráveis, (sobre)viventes em barracos de lona preta à beira da estrada, excluídas de direitos e carentes de respeito e reconhecimento por parte do Estado, em criminosos.
Foto: Sebastião Salgado

Apenas 1,6% dos proprietários com imóveis acima de mil
hectares possuem 46,8% da área total existente no País.
Enfim, isso mereceria, se a "democracia" existisse, processo de cassação de mandato por quebra de decoro. Duvido o ultra-conservador Boris Casoy usar o bordão neste caso, mas ISSO É UMA VERGONHA!!!
Abaixo seguem os links de uma excelente reportagem do Maurício "Matinas" Hashizume, do qual tenho orgulho de ser amigo e companheiro de luta (e do futebol dominical... rs), e de um artigo do Emir Sader que expressa muito bem o sentimento de indignação de todos/as que não aceitam a realidade como algo dado.
Em tempo, amanhã (quinta, 1/12) vai acontecer outra audiência na Câmara sobre agrotóxicos. Estamos em campanha para barrar uma proposta dos ruralistas. Se tiver a fala, viu ser vaiado novamente, como na semana passada, pela turma do Caiado. Se isso ocorrer mesmo, vou ter que me controlar para não soltar o grito preso na garganta: FASCISTAS!!
Abraços, boa leitura e espalhem adiante.
Rogério Tomaz Jr.
"Enquanto houver injustiça e miséria, todo homem deve ser um revoltado".
Albert Camus
(rodapé emprestado da amiga Bia Barbosa, também da Carta Maior e do Intervozes)
*Quem quiser refrescar a memória sobre o significado do Ato Patriótico, leia isso:
http://www.debater.org.br/Frames/Conteudos/Politica/Realidade_Orwell.shtm
===============================
http://agenciacartamaior.uol.com.br/agencia.asp?id=3774&cd_editoria=003&coluna=reportagens
http://agenciacartamaior.uol.com.br/agencia.asp?id=3775&cd_editoria=003&coluna=reportagens
enviada por Rogério Tomaz Jr.
23/11/2005 21:02
Grande notícia e vaia de orgulho
Hoje tive a melhor notícia do ano e até dos últimos anos. Trezentas famílias conquistaram definitivamente a posse de três propriedades na zona da mata pernambucana, terra dos cononéis do "rei açúcar", como se refere Galeano.
É o caso do Engenho Prado, cujo histórico é exemplar da luta pela reforma agrária no Brasil, por conter todos os aspectos possíveis dessa dura peleja de todos contra poucos (privilegiados e muito poderosos), como diz meu chefe, amigo e referência política e pessoal, Flávio Valente. Aliás, Flávio deu sua contribuição valorosa a essa vitória coletiva, na condição de relator nacional para os direitos humanos à alimentação adequada, água e terra rural.
Se as famílias do Prado pensassem como nos manda pensar a máquina capitalista ("não há alternativa", "não tem jeito", "o governo é quem deve resolver tudo", "não existe sociedade [muto menos organizada], apenas indivíduos"), JAMAIS teriam desafiado o senso comum (imposto via mídia, Igreja, escolas, militares e outros aparelhos ideológicos) e iniciado a luta, através da OCUPAÇÃO das propriedades, QUASE UMA DÉCADA ATRÁS.
Nesse tempo, apanharam e foram humilhados pela PM e pelos jagunços dos "coroné" várias vezes; foram despejadas com truculência duas vezes; alguns foram assassinados; muitos ameaçados; a (in)Justiça estadual se negou inúmeras vezes a respeitar a Constituição (Arts. 5º, 170, 173, 184, 185 e 186), na observância da função social da propriedade rural, e chegou ao cúmulo de passar por cima de uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF); a imprensa local criminalizou a luta das famílias, tratando-as como delinqüentes; e dizer que elas comeram o pão que o diabo amassou é eufemismo ou piada para se referir ao sofrimento que viveram, e objetivamente vivem ainda hoje, em relação ao cumprimento de suas necessidades e direitos básicos.
Mas agora o choro é de alegria.

Cena de um dos despejos sofridos pelas famílias do Engenho Prado.
E a luta é para (re)construir a vida, com dignidade e altivez. E mostrar aos mudernos senhores da Casa Grande que o Brasil que dá certo é o da agricultura camponesa*, que abastece 70% da comida que chega à nossa mesa, gera renda e emprego para 14 milhões de brasileiros e brasileiras, não destrói o meio ambiente, não dá calote nos cofres públicos (os ruralistas devem mais de R$ 30 bilhões ao povo e aplicam calote em cima de calote), não usa mão-de-obra escrava e semi-escrava, e não viola outros direitos humanos.
Aliás, se soma a esta notícia a experiência inédita que tive ontem. Fui vaiado pela turma do Caiado. Sim, a UDR deu chilique em audiência pública na Câmara, sobre agrotóxicos, e quase não me deixou falar, depois que expus a face podre do agronegócio, relacionada em parte no parágrafo acima. Na hora foi uma sensação estranha. Segurei o ímpeto de bater boca e exigir que fosse respeitado minha liberdade de expressão. Falei o que pude no tempo escasso que me deram. E eles gritaram e vaiaram o que puderam, além de terem sido irônicos e posarem de vítimas (oh coitadinhos!) após minha fala.
Quem se interessar, pode ajudar e participar da campanha contra os agrotóxicos:
http://www.abrandh.org.br/chegadeveneno
E viva à luta do povo brasileiro! Outros Prados virão!!
Rogério Tomaz Jr.
*O termo mais comum para designar a pequena agricultura é "agricultura familiar", mas este é conceito de fundo ideológico capitalista e cheio de contradições (o Blairo Maggi, por exemplo, maior sojeiro do mundo e governador do MT, se diz "agricultor familiar", porque sua família cuida dos negócios).
enviada por Rogério Tomaz Jr.
28/10/2005 16:36
Palavras do "Galego"
Reproduzo abaixo um texto "fuderoso" de um grande amigo pernambucano, "cabra da peste", radialista de formação, jornalista-cronista-contista-poeta-popular por vocação, indignado de mente e coração e lutador por opção.
Dos fatos que ele relatou, acompanhamos (no meu trabalho) e atuamos de perto em dois casos, as mortes nos canaviais e a luta do povo no Engenho Prado.
Depois de ver coisas como um tribunal regional passar por cima da decisão do STF (Supremo Trinunal Federal), a mais alta instância da Justiça no país, além das mortes morridas e mortes matadas pelo agronegócio (a face "muderna" dos senhores de escravos), dá até vontade de soltar de vez a indignação e deixar as armas da razão para usar a razão das armas, contra esse sistema insustentável.
O blógui dele: http://www.carraspana.blogspot.com
Não deixe de visitar de vez em quando.
Outra ótima leitura, de uma galera que não se rende ao jornaZismo que aprendemos nas salas-de-aula das fábricas de diploma e mesmo nas universidades públicas, cada vez mais privatizadas ideologicamente: http://www.fazendomedia.com/diaadia/nota271005.htm
Abraços,
Rogério Tomaz Jr.
"Porque estou do lado de cá
Ontem um agricultor de 47 anos morreu de estafa após colher 25 toneladas de cana de açúcar, no interior de São Paulo. Semana passada, saiu um relatório de direitos humanos (não lembro onde, mas li na Folha de São Paulo) que indicava que as crianças que trabalham na cana de açúcar, lá, colhem 15 toneladas de cana por dia.
Os agricultores de cana de açúcar de Pernambuco (organizados na FETAPE) estão realizando a segunda maior greve da sua história. Para furar a greve, os usineiros contratam trabalhadores em outros estados, prendem grevistas dentro do engenho (e chamam a polícia pra denunciar "invasão de propriedade") e usam PMs como segurança particular para os treminhões. O Jornal do Commercio cobre a greve por seis dias. A Folha está proibida de cobrir, até pq seu dono é usineiro. O DP não cobriu (dizem que pq levaram o furo e não querem dar razão ao JC). Ontem o JC cedeu à pressão dos outros e parou de cobrir a greve - que continua e se intensifica.
Ontem, 40 famílias de agricultores rurais sem terra foram cercados na casa grande da fazenda Santo Antônio, em Altinho (aqui no agreste). O cerco foi realizado por pistoleiros. Se não eram de algum grupo extremista de direita, devem ter sido contratados pela dona das terras. O cerco começou no fim da tarde, quando os criminosos entraram no acampamento atirando, deixando como únioca alternativa pro povo entrar na casa-grande. Eu soube do acontecimento à noite. Ligamos pra polícia e pra imprensa daqui. De manhã, depois de terem passado a madrugada inteira acordados debaixo de bala, os sem terra foram libertados por outros sem terra, que foram pro lugar em três carros e fizeram uma algazarra tamanha, dando cavalos de pau e partindo pra cima (com o carro) dos pistoleiros, que dispersaram o cerco. Os criminosos correram e meia hora depois a polícia chegou. A imprensa não foi. Oficialmente o cerco não existiu.
Ontem no fim da tarde, Hamilton da Silva, 34 anos, conhecido como Nenê, liderança estadual do MLST, foi assassinado. Ele estava num posto de gasolina, na cidade de Itaíba, quando dois homens numa moto dispararam 10 tiros no rosto dele. Um mês atrás, ele avisou ao Ministério Público que vinha sofrendo constantes ameaças de morte, por parte dos fazendeiros da região. Nada foi feito. Não há suspeitos.
Ontem, um desembargador do TRF da 5ª Região suspendeu uma decisão do Supremo Tribunal Federal, que determinava a imissão de posse do engenho Prado às 300 famílias de sem terra acampadas lá desde 1998. Em 2003, grupos de pistoleiros atormentaram aquelas famílais, e a PM destruiu com tratores toda a lavoura que os acampados haviam plantado para comer, além de todos os barracos e mesmo a escola construída no lugar pelos sem terra. A terra foi conmsiderada improdutiva anos atrás, mas nem isso impediu a ação da polícia, que somente cumpriu um mandato judicial do TJ. A partir de hoje, ao que parece, decisões do Supremo (que antes eram indiscutíveis) podem ser suspensas por tribunais "menores", como é o caso do Tribunal Regional do tal desembargador.
Ontem, 180 trabalhadores rurais sem terra de todo o Estado começaram a segunda etapa do EJA médio promovido pelo MST. Eles passarão as próximas semanas estudando pra receberem um diploma do ensino médio. Os 180 se dividiram em grupos setoriais. cada dia, um grupo lava os pratos, outro varre as dependências do lugar, outro prepara a mística do dia, outro prepara a noite cultural. A maioria era analfabeto até entrarem no movimento".
enviada por Rogério Tomaz Jr.
04/10/2005 03:44
Inflexões e reflexões
Por que escrevemos? Galeano diz que era sua "maneira de estar com os demais depois de morto e assim não iam morrer totalmente as pessoas e coisas que eu tinha querido".
Escrever é um ato de comunhão. De divisão. De partilha. Mas, nesse caso, só nos dividimos com os outros quando nos sentimos suficientes para nós mesmo. Se o peso que nos lega a existência é suportável ou nem chega a ser pesado. É a leveza do espírito, da mente. E como canta Siba, do Mestre Ambrósio, "se a cabeça não pensa é o corpo quem padece".
Só consigo escrever (de dentro pra fora) quando reúno os três elementos: vontade do corpo, inspiração da mente (nada muito elevado, mas tão somente um estado propício para agarrar as palavras soltas no ar) e tesão do espírito.
Desde 14 de julho, aniversário da Queda da Bastilha, não escrevia aqui. Tentei algumas vezes. Rabisquei, planejei, desejei... mas sempre faltava algo.
Muita coisa aconteceu. Tem acontecido. Sentimentos a mil e de mil e um tipos. E aprendizado, sempre. Aprendi que a tristeza é pedagógica. Desconfiava, mas confirmei nesses últimos meses. Na realidade, tudo que nos acontece é pedagógico, mas alguns processos e fatos têm mais esse caráter do que outros.
Descobri (ou enxerguei) também que a família é absolutamente imprescindível na minha vida. Tanto quanto o imperativo de rodar o mundo, de desvendá-lo com os olhos, com nariz, com a boca e com o corpo. No meio desses extremos, gravita o sofrimento da impossibilidade de ter e fazer tudo que desejo.
A grande novidade é que deixei de ser um alienígena na própria família, pelas opções políticas e de modos de vida que adotei nos últimos cinco anos. Foi preciso me afastar, me livrar das amarras que me davam segurança, andar com os próprios pés, para ser reconhecido e respeitado. Nada exatamente inédito na história da humanidade, porém marcante para qualquer um que viva isso. E, apesar do saldo (emocional, sobretudo) extremamente positivo, dói constatar a solidez da hegemonia da lógica do "ter sobre o ser" justamente no núcleo essencial da sua vida, logo quando você é (ou procura ser) alguém vive de corpo e alma para combater essa lógica.
***
O que dói mais? A perda, no plano físico, de uma pessoa querida ou as sucessivas e incontáveis dores que as visões e contradições do sistema causam, como se fossem fatos dados, irreversíveis?
Com o tempo, por mais duro que seja, é possível viver com o peso da primeira dor. Ou não. Mas em relação à segunda, é preciso, em algum momento, fechar os olhos, tapar ouvidos e nariz e criar um mundo irreal, ou incompleto, para poder suportar o espectro permanente da miséria humana, em todos os seus significados.
Muitos naturalizam essa postura. Outros vomitam de vez em quando.
Por vezes, muitas vezes ultimamente, sou repentinamente tomado pela vertigem de me converter à religião do conformismo, me tornar discípulo da lógica "deixa a vida me levar", sendo que, na realidade, alguns, a maioria esmagadora, são levados (ou arrastados?!), enquanto alguns, eu dentre eles, posso "levar" um pouco...
Sortudo que sou, essa confusão dura o tempo de uma vinheta da Globo... e a lucidez habitual geralmente retorna junto com a palavra de ordem: PAU NA MÁQUINA!
E tenho criado o hábito de atirar pedras em tanques. Mais sobre isso outro dia.
***
E a saudade? No último mês e pouco, quatro pessoas queridas foram morar do outro lado do oceano. Os paulistas João Brant e Rodrigo Valente (pelo qual tenho carinho como irmão e respeito como referência política e pessoal e além de tudo é o meu esquerdista favorito!! ehehe) foram para a ilha do Tony Blair.
O primeiro, nosso ex-capa de Enecos e atual capa (no melhor dos sentidos, óbvio) de Intervozes, para o mestrado. o segundo, para uma temporada mais curta, para estudar a língua de Shakespeare e Hobsbawn. Vão fazer muita falta.
Flávia, brasiliense (ou guaraense?), no Porto, onde já está há uma semana degustando vários vinhos BBB (bons, bonitos e baratos). Julia, recifense, segue amanhã (terça, 4/10) para Barcelona.
Que fiquem bem, cumpram seus objetivos e superem suas expectativas. Aguardamos seus retornos.
Falhei com a Flávia na véspera da viagem dela. Tinha na cabeça que ia na terça, quando a partida era segunda. No domingo à noite, fui ver a exibição do Flu contra o Santos (aliás, como me disse o companheiro tricolor Marcelo Siqueira, meu "cunhado" carioca, o Fluzão não cobra mais ingresso nas suas partidas... apenas couvert artístico) e tive como despedida dela apenas o breve encntro no Beirute, no sábado.
Vou vê-la no próximo ano. Aqui ou lá, caso eu crie coragem e vá circular pelo Velho Mundo. Mas pelo menos ela levou de presente o maravilhoso "Doze contos peregrinos", do Garcia Márquez, que ainda nem tinha acabado de ler.
Também já agradeci à Julia pela conversa que tivemos há pouco. Há mais de ano não ouvíamos nossas vozes. É sempre muito gostoso ouvir seu sotaque e sentir a empolgação espontânea que essa guria tem. Fome de mundo, fome de cultura, de conhecimento. E brilho. Que saudade!
"Tempo de espera"
Cessaram os cânticos
que em tardes de chuva
batiam nos vidros daquela janela.
É agora o tempo branco
da espera de outras euforias
doçura amarga arrastada nas horas.
É um espaço, um salto
um saber de distância calada.
Nem um som, nem um murmúrio
quebram os muros que se erguem.
É um caminho de silêncio
dentro de mim rodeada de risos.
Dias parados no limbo do tempo
baço, que a luz do sol é lá fora.
Tempo de espera. Do inevitável. Da alegria. Da saudade.
De Lique http://mulher50a60.weblog.com.pt/arquivo/2004/12/tempo_de_espera.html
E um forte viva à arte!!
enviada por Rogério Tomaz Jr.
14/07/2005 17:03
O amor... ora, o amor!!
Ontem, quarta-feira, minha mãe (quase) me acordou. Ligou quando eu estava "em processo de despertar", (re)lendo uma linda e inspiradora mensagem que recebi da amiga Carol Lopes.
Como sempre, esses telefonemas são maravilhosos. Revigorantes pro espírito, corpo e coração. Ela mora na Itália, desde 1998. Sempre liga no horário da sesta, lá. Início da manhã, aqui. Para mim, notívago de natureza e opção, é quase madrugada, mas "a gente supera", como lembro que gosta de falar a amiga Alina Maciel.
Disse que está apaixonada. Achei ótimo, mas o sono não me deixou perceber a singularidade destas palavras. Nunca a ouvi dizer isso. Separada do meu pai há mais de 20 anos, passou a vida cuidando dos quatro filhos e nunca teve uma relação muito duradoura, a não ser uma lá mesmo no país da bota, terminada há cerca de um ano.
O sujeito, Paulo, está até disposto a vir morar no Brasil, já que ela pretende voltar de vez pra terrinha até o ano que vem. Estou muito alegre por ela! E viva o amor!
Ainda vou visitar esse lugar
***
Como disse, estava lendo a mensagem da Carol, quando minha mãe ligou. No final da mensagem está o texto abaixo, primeiro que Carol leu, ao acaso, do presente que lhe mandei.
"A Pequena Morte"
Não nos provoca o riso o amor quando chega ao mais profundo de sua viagem, ao mais alto de seu vôo: no mais profundo, no mais alto, nos arranca gemidos e suspiros, vozes de dor, embora seja dor jubilosa, e pensando bem não há nada de estranho nisso, porque nascer é uma alegria que dói. Pequena morte, chamam na França a culminação do abraço, que ao quebrar-nos faz por juntarmo-nos, e perdendo-nos faz por nos encontrar e acabando conosco nos principia. Pequena morte, dizem; mas grande, muito grande haverá de ser, se ao nos matar nos nasce.
Eduardo Galeano, O livro dos abraços, p.95
***
Por falar em amor, vai ser lançado o livreto (em estilo de cordel) "Uma crônica e um punhado de poemas de amor crônico Declarações de amor para Ellen Carol", do amigo e fonte de inspiração Zema Ribeiro. A (s)obra (como ele gosta de chamá-la) é a primeira de muitas, com certeza. Um primor! Vitor Hugo (ou seu fã maior nessas bandas, Nélson Rodrigues) diria: "Divino!".
Segue abaixo a orelha e o primeiro poema do livreto, que vai ser lançado no final do mês, em São Luís. Outros relançamentos vão acontecer.
Não deixem de visitar o excelente blog dele: "Shopping Brasil" http://olhodeboi.zip.net/
Os poemas e a crônica falam por si só. Amor sincero em tempos falsos e incertos. Na medida certa? Não. Tudo aqui é exagero! Mentira? Não, o amor é que é demais. O amor é fodido, como no livro do escritor português Miguel Esteves Cardoso. É um cão vadio aos pés de uma mulher abismo, como noutro livro, este de Xico Sá. Sexo, até as baratas fazem, disse Lourenço Mutarelli. As coisas aqui vão além de tudo isso. O amor é sagrado. Profano? Guarda sua porção, como nas melhores festas, como a própria vida, que então se fez festa, para além das noites de quinta-feira na Praia Grande. Idas e voltas, caminhos tortuosos, misto de novela mexicana com cinema europeu, Bar do Léo e botequins, Belle & Sebastian, Cesar Teixeira, Tom Zé e Zezé di Camargo. Coisas que nem a física explica pela atração dos opostos: só o amor é capaz disso.
meu querer
quero de novo o sabor de teu beijo, nervoso
como se fosse um fruto proibido, mais gostoso
quero de novo tua mão na minha, pele roçando
quero pra sempre nós dois nos amando
quero um poema que não seja piegas
porém, sincero como as canções bregas
teus lábios nos meus, quero novamente
no frio da madrugada quero o teu beijo quente
quero-te pra sempre, toda, por inteiro
quero te saber o sabor, sentir teu cheiro
quero-te descabelada ou depois do salão
quero-te de qualquer jeito, pois te quero tanto
minha voz em teu ouvido, num doce acalanto
sincronizando ao teu, as batidas de meu coração
Zema Ribeiro, 28/04/2005
Ana Lúcia, 47 anos, cada vez melhor
enviada por Rogério Tomaz Jr.
08/07/2005 14:17
Lições, tragédias e contradições
Comida, quando feita com amor, é sempre deliciosa. A máxima é antiga, escuto desde até onde minha memória existe. Mas, às vezes, as comprovações vêm quando menos esperamos. Nesta terça-feira passada, almocei, junto com outros dois colegas de trabalho (Thais e Flávio) numa casa humilde na Vila Santo Afonso, ocupação urbana das mais carentes de Teresina, Piauí.
Como escrevi num postal enviado a uma amiga querida, Carol Lopes (a doçura em pessoa!), na Vila falta tudo: água, esgoto e luz regulares, saúde, educação, pavimentação, moradia adequada, espaços de cultura e lazer... tudo, menos dignidade e vontade de lutar... (leiam a carta digitalizada abaixo e comprovem)
O almoço estava simplesmente maravilhoso!! Comi e repeti o prato. Comida simples, do jeito que gosto: arroz, macarronada com ovo, feijão (o melhor!), farofa, frango e salada. E uma pimenta tão picante quanto saborosa!! Aliás, o Flávio literalmente devorou a pimenta. Parecia que estava colocando azeite ou molho inglês... (risos)
Toda essa celebração do corpo numa casa de taipa, sem reboco, cujos cômodos são divididos por panos.
Para quem não sabe, companheiro significa aquele que compartilha o pão. A comunhão do alimento com aquelas famílias apenas selou, de forma simbólica, a nossa colaboração, como companheiros(as), na luta de cada dia desta comunidade que não se submete às leis maiores da hegemonia cultural capitalista: a indiferença e a conformidade, faces gêmeas do aforismo tçao cantado deixa a vida me levar...
E como já disse um certo argentino-cubano-homem-do-mundo apelidado de Che:
Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros.
Companheiros e companheiras de pão e de luta
***
A última atividade da oficina sobre Direito Humano à Alimentação Adequada em Teresina, com as famílias da Vila Santo Afonso e representantes de órgãos públicos, foi marcada pelas contradições.
De um lado a comunidade apresentava suas reivindicações, ciente de seus direitos e dos deveres do Estado em relação a eles. Do outro, as autoridades lavavam as mãos, ou se eximindo por completo da responsabilidade, ou relativizando os anseios da comunidade, ou jogando a culpa nos gabinetes de Brasília e ainda agredindo verbalmente as famílias que tiveram a ousadia de reclamar e cobrar providências do poder público local.
Fiquei, ficamos (eu, Thais, Valéria, também colega da Abrandh, e outras pessoas) perplexos, indignados e um pouco frustrados. Flávio, já conhecedor deste tipo de cultura por parte dos gestores públicos, não escondia a indignação, mas não ficou tão desorientado quanto nós, que estamos engatinhando nessa luta.
Uma das lideranças da Vila, Santinha, fez a melhor leitura do cenário: Aquela senhora está confundindo desejos com direitos. Mais lucidez, impossível.
Foto de primeira página do jornal Meio Norte, 06/07/2005 - a Vila Santo Afonso deixando de ser invisível
***
Ao final, as tragédias se chocando. A fome como condição cotidiana e não estado esporádico levou uma criança a pegar um pedaço de carne exposto no muro vizinho à casa onde ocorreu a oficina.
Em segundos, a senhora bastante idosa sai de casa e, aos gritos e em desespero, vem buscar a carne de volta. Alguns instantes e ela recupera, mas sai ofendendo os adultos e as crianças. A confusão está feita. Flávio convence a senhora a entrar em casa e vai conversar com ela. O diálogo demora. Enquanto a mãe da criança que pegou a carne desabava em choro, por ver a filha ser acusada de ladra, a senhora (de 73 anos) entrava em crise de consciência e também chorava compulsivamente no ombro de Flávio.
Eu não sou assim... perdi o controle... me desculpe... eu sei que estas pessoas não têm o que comer, mas eu sobrevivo desta carne. Meu marido sofreu um derrame e vive na cadeira de rodas... acordo às 3h da manhã e preparo a carne para vender na feira...
As tragédias da vida estão em cada esquina, em cada portão. Algo mais a dizer?
Enquanto isso, seguem as micaretas da vida, os festivais pop, as baladas...
"Odeio os indiferentes. Como Friederich Hebbel, acredito que viver significa tomar partido. Não podem existir apenas homens estranhos à cidade.
Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, covardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes.
A indiferença é o peso morto da história. É a bala de chumbo para o inovador e a matéria inerte em que se afogam freqüentemente os entusiasmos mais esplendorosos, o fosso que circunda a velha cidade.
Odeio os indiferentes também, porque me provocam tédio as suas lamúrias de eternos inocentes. Peço contas a todos eles pela maneira como cumpriram a tarefa que a vida lhes impôs e impõe cotidianamente, do que fizeram e sobretudo do que não fizeram.
E sinto que não posso ser inoxidável, que não devo desperdiçar a minha compaixão, que não posso repartir com eles as minhas lágrimas.
Sou militante, estou vivo, sinto nas consciências viris que estão comigo a pulsar a atividade da cidade futura, que estamos a construir."
Antonio Gramsci
(um sujeito cujo juiz que o condenou à prissão no regime fascista de Mussolini registrou a seguinte frase: "Devemos impedir, por 20 anos, este cérebro de funcionar")
enviada por Rogério Tomaz Jr.
08/07/2005 13:36
"Discurso não pronunciado"
(Carta de uma moradora da Vila Santo Afonso, comunidade de Teresina onde a miséria é mais miserável ainda)
Algumas informações para melhor entendimento:
- uma das "autoridades" presentes à reunião com a comunidade, relativizando a fome de direitos das famílias, declarou: "todos gostaríamos de ter uma caixa de som e um microfone nessa reunião, para não termos que falar quase gritando", após ouvir as duras cobranças dirigidas ao órgão público que ali representava;
- a mesma pessoa também justificou a ausência de médico na Vila pela necessidade de realização de concurso público, repetindo o disco várias vezes: "temos que seguir normas... não podemos desrespeitar as normas... se eu não respeitar as normas vou presa"...
- uma outra "autoridade", que saiu no meio da reunião, descontente com a postura inconformada da comunidade, se referiu à comunidade como "Vila do Avião". Se alguém tiver curiosidade de saber o significado do "avião" em questão, deixe um recado ou me escreva. Ah, e não se trata dos garotos que fazem serviços para os traficantes. Esse é outro avião...
enviada por Rogério Tomaz Jr.
04/07/2005 01:55
Alegrias e confusões para o espírito
Depressão. Neste momento, a sensação é esta.
A depressão da despedida, da saudade pré-sentida.
Cheguei a São Luis na madrugada de quarta para quinta (30). Estou indo para Teresina daqui a algumas horas, às 6h30 de segunda (4/7), onde fico até a tarde de quarta, a trabalho.
Em São Luís, juntei a possibilidade de rever as pessoas queridas e resolver algumas pendências pessoais à necessidade de obter informações sobre o projeto de instalação de um pólo siderúrgico na Ilha. Vou falar mais sobre isso futuramente. Mas, desde já, aviso: o crime cometido contra milhares de pessoas em Alcântara (e em tantos outros lugares no mundo) está prestes a ser repetido, de forma muito mais brutal, contra as comunidades rurais onde a Vale do Rio Doce e governos (estadual e municipal) querem colocar o monstrengo. A situação é gravíssima, sob o ponto de vista de vários direitos humanos: saúde, água, alimentação, moradia, terra, meio ambiente...
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Surreal e inusitado o encontro com João Brant, intervozeano e paulistano de luta, durante o show dO Rappa, na sexta. João veio a passeio, mas não li a mensagem dele antes de viajar. Por sua vez, ele não sabia que eu estava aqui.
Em mais um lance de sorte, meu tio Rômulo, de Fortaleza, passou alguns dias aqui, a serviço. Fizemos o que não fazíamos há vários anos: conversar, rir, se divertir e tomar alguns litros do sagrado suco de cevada. O show dO Rappa foi excelente, por si só, mas também pela turma: eu, meu irmão Igor, meu primo Pablo, tio Rômulo, que é o terceiro filho da família da minha mãe, João e os amigos e amigas que (re)encontrei por lá.
Detalhe: Falcão começou dando o seguinte recado: Eu só queria dizer uma coisa, A ARGENTINA SE FUDEU!!... delírio do público...
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Voltando à depressão, estou triste porque não vi sequer 10% de quem gostaria de ter visto. Nesse momento, sensação incômoda, essa tristeza é maior do que a alegria de rever tanta gente. Mas passa. Tudo passa, até uva-passa, como me ensinou a Nathalia.
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Ainda assim, a semana começou desastrosa, mas se tornou maravilhosa. Entre os grandes e inesquecíveis fatos, a vitória no STF do povo do Engenho Prado. O julgamento, finalmente, aconteceu quarta-feira (29), dia em que viajei. Só soube da notícia no dia seguinte, já em terras maranhenses, mas a explosão de felicidade foi intensa.
Leia mais sobre o caso no final do texto abaixo e no seguinte.
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Agora, é acreditar que a fila anda, como diz a amiga Ana Flávia, da ABRANDH. Mais que acreditar, porém, é fazer por onde isso aconteça... falta disposição, inspiração e até coragem para isso, porém...
Obs.: sem fotos hoje, mas logo vou colocar alguma das poucas que tirei aqui.
enviada por Rogério Tomaz Jr.
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