As veias abertas de um latino-americano


14/07/2005 17:03

O amor... ora, o amor!!


Ontem, quarta-feira, minha mãe (quase) me acordou. Ligou quando eu estava "em processo de despertar", (re)lendo uma linda e inspiradora mensagem que recebi da amiga Carol Lopes.


Como sempre, esses telefonemas são maravilhosos. Revigorantes pro espírito, corpo e coração. Ela mora na Itália, desde 1998. Sempre liga no horário da sesta, lá. Início da manhã, aqui. Para mim, notívago de natureza e opção, é quase madrugada, mas "a gente supera", como lembro que gosta de falar a amiga Alina Maciel.


Disse que está apaixonada. Achei ótimo, mas o sono não me deixou perceber a singularidade destas palavras. Nunca a ouvi dizer isso. Separada do meu pai há mais de 20 anos, passou a vida cuidando dos quatro filhos e nunca teve uma relação muito duradoura, a não ser uma lá mesmo no país da bota, terminada há cerca de um ano.


O sujeito, Paulo, está até disposto a vir morar no Brasil, já que ela pretende voltar de vez pra terrinha até o ano que vem. Estou muito alegre por ela! E viva o amor!



Ainda vou visitar esse lugar


***


Como disse, estava lendo a mensagem da Carol, quando minha mãe ligou. No final da mensagem está o texto abaixo, primeiro que Carol leu, ao acaso, do presente que lhe mandei.


"A Pequena Morte"

Não nos provoca o riso o amor quando chega ao mais profundo de sua viagem, ao mais alto de seu vôo: no mais profundo, no mais alto, nos arranca gemidos e suspiros, vozes de dor, embora seja dor jubilosa, e pensando bem não há nada de estranho nisso, porque nascer é uma alegria que dói. Pequena morte, chamam na França a culminação do abraço, que ao quebrar-nos faz por juntarmo-nos, e perdendo-nos faz por nos encontrar e acabando conosco nos principia. Pequena morte, dizem; mas grande, muito grande haverá de ser, se ao nos matar nos nasce.

Eduardo Galeano, “O livro dos abraços”, p.95


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Por falar em amor, vai ser lançado o livreto (em estilo de cordel) "Uma crônica e um punhado de poemas de amor crônico – Declarações de amor para Ellen Carol", do amigo e fonte de inspiração Zema Ribeiro. A (s)obra (como ele gosta de chamá-la) é a primeira de muitas, com certeza. Um primor! Vitor Hugo (ou seu fã maior nessas bandas, Nélson Rodrigues) diria: "Divino!".


Segue abaixo a orelha e o primeiro poema do livreto, que vai ser lançado no final do mês, em São Luís. Outros relançamentos vão acontecer.


Não deixem de visitar o excelente blog dele: "Shopping Brasil" – http://olhodeboi.zip.net/


Os poemas – e a crônica – falam por si só. Amor sincero em tempos falsos e incertos. Na medida certa? Não. Tudo aqui é exagero! Mentira? Não, o amor é que é demais. O amor é fodido, como no livro do escritor português Miguel Esteves Cardoso. É um cão vadio aos pés de uma mulher abismo, como noutro livro, este de Xico Sá. Sexo, até as baratas fazem, disse Lourenço Mutarelli. As coisas aqui vão além de tudo isso. O amor é sagrado. Profano? Guarda sua porção, como nas melhores festas, como a própria vida, que então se fez festa, para além das noites de quinta-feira na Praia Grande. Idas e voltas, caminhos tortuosos, misto de novela mexicana com cinema europeu, Bar do Léo e botequins, Belle & Sebastian, Cesar Teixeira, Tom Zé e Zezé di Camargo. Coisas que nem a física explica pela atração dos opostos: só o amor é capaz disso.

meu querer

quero de novo o sabor de teu beijo, nervoso
como se fosse um fruto proibido, mais gostoso
quero de novo tua mão na minha, pele roçando
quero pra sempre nós dois nos amando

quero um poema que não seja piegas
porém, sincero como as canções bregas
teus lábios nos meus, quero novamente
no frio da madrugada quero o teu beijo quente

quero-te pra sempre, toda, por inteiro
quero te saber o sabor, sentir teu cheiro
quero-te descabelada ou depois do salão

quero-te de qualquer jeito, pois te quero tanto
minha voz em teu ouvido, num doce acalanto
sincronizando ao teu, as batidas de meu coração

Zema Ribeiro, 28/04/2005


Ana Lúcia, 47 anos, cada vez melhor


enviada por Rogério Tomaz Jr.






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